segunda-feira, 2 de abril de 2012


SANGUE DE OUTROS
Leio os poemas dos mortos
eu que estou viva
eu que vivi para rir e chorar
e gritar pátria Livre ou Morrer
em cima de um caminhão
no dia em que chegamos a Manágua.
Leio os poemas dos mortos,
vejo as formigas sobre a grama,
meus pés descalços,
teu cabelo liso,
costas curvadas numa reunião.
Leio os poemas dos mortos
e sinto que este sangue com o qual nos amamos
não nos pertence.
(Gioconda Belli)

segunda-feira, 12 de março de 2012

Como você reage a “brincadeiras” machistas dos amigos?

Denise Rangel

Profª de Literatura e Produtora de Rodas de Leitura; Feminista; Ecoconsciente; Sturm und drang! http://blogueirasfeministas.com/2011/09/brincadeiras-machistas/
A exposição ao humor machista pode levar à tolerância de sentimentos hostis e discriminação contra as mulheres. Nossa atitude leva os homens a acreditar que o comportamento machista está dentro dos limites de aceitabilidade social.
Quando um homem conta uma piada ou faz uma brincadeira machista, você é  uma das pessoas que diz: “Você sabe que eu não acho isso engraçado”, mesmo correndo o risco de ser chamada de “feminista sem senso de humor”? Para ser sociável você tem de rir? Afinal, “os homens fazem as brincadeiras machistas por diversão!”, “São só brincadeiras!”, dizem-me as mulheres que acham graça delas. Bom, nesse caso, parece que, essas mulheres, para serem aceitas no grupo, precisam rir das brincadeiras e das piadas, pois só assim serão tratadas como igual.
Circo da Madalena. Imagem de Dayla Duarte, no Flickr em CC, alguns direitos reservados.
Muitas mulheres dizem  que “homem não presta”,  que “homem é assim mesmo” e  aceitam  as brincadeiras  machistas, porque  tal comportamento é  da natureza e do instinto masculino. E muitos deles ficam aborrecidos se chamados de machistas, pois não se consideram como tal, e, portanto, não admitem  serem enquadrados em qualquer definição sexista.  Infelizmente,  o machismo é tão poderoso e tão prevalente  porque muitas pessoas acham que está tudo bem.
Quero deixar claro que, se uma piada é engraçada, eu vou rir! Porém, penso que é importante as mulheres  reagirem honestamente, se algo na piada as deixa desconfortáveis. As brincadeiras de cunho machista se perpetuam porque o preconceito contra a mulher ainda é visto como algo menor, que não chega a despertar repugnância. E precisamos deixar bem claro que não é. O preconceito contra mulheres é muito grande, é pernicioso, é relevante! E, com nossa atitude autêntica, apontar  o machismo nas brincadeiras é só mais uma forma de alertar para a existência dele.
A mulher  tem um papel fundamental na mudança do machismo cultural brasileiro, mas, sem consciência  de que ele existe e é perpetuado por ela, isso será impossível. Acontece que, quando pessoas como eu apontam o  machismo em comentários, piadas e brincadeiras, há mulheres que dizem que somos exageradas, que a intenção do homem não era machista, e, portanto, a ação em si não era machista. Isto não só ajuda a perpetuar esses comportamentos machistas, como também  estimula o ressentimento para com as feministas e  o movimento em favor dos direitos da mulher.
A Srta. Bia disse, em um de seus posts, “que existe um paradigma da vulgaridade, o sexo nunca foi tão exposto, nossa sexualidade parece ter sido sequestrada pela pornografia“. As piadas machistas perpetuam o machismo, pois mostram que as mulheres devem ser usadas como objetos sexuais, e solidificam a ideia de que os homens são melhores do que elas. Algumas piadas banalizam  a violência e a agressão sexual e perpetuam a ideia de que a violência  contra mulheres seja tolerada.
Meu objetivo não é culpar as mulheres, mas apontar o perigo de reproduzirmos os valores tradicionais, ao aceitarmos tais atitudes como normais e próprias da natureza masculina. Se, sempre que vemos alguém, em casa ou no trabalho, fazendo piada machista, e não reagimos honestamente, o machismo continua vivo.  Percebo o ar de satisfação nos colegas de trabalho quando as mulheres riem de suas brincadeiras. É como se enviassem uma mensagem de que está tudo bem, que nós não nos importamos, que eles têm nosso apoio. Será que nós, mulheres, não ajudamos a perpetuar o machismo de alguma forma?
A exposição ao humor machista pode levar à tolerância de sentimentos hostis e discriminação contra as mulheres. Nossa atitude leva os homens a acreditarem que o comportamento machista está dentro dos limites de aceitabilidade social. Uma pesquisa alerta que as pessoas devem estar cientes da prevalência do humor depreciativo na cultura popular, e que o pretexto de que são “diversões  benignas” ou de que são “só uma piada”  dá-lhe o potencial para ser uma força poderosa e difundida, e que pode legitimar preconceitos em nossa sociedade.
O que você pode dizer em resposta a piadas desse tipo?
  • Diga que não é nada engraçada uma piada sobre estupro, por exemplo, porque o estupro é um evento traumático e um crime violento.  Brincar sobre este tipo de violência nos  faz esquecer o que ele realmente é, e como ele é sério.  Há uma boa chance de que alguém na sala tenha uma pessoa próxima que foi violada ou sexualmente agredida.
  • Se  alguém diz que o piadista faz as brincadeiras para  “alegrar” o ambiente,  você pode dizer  que, ainda assim, não acha engraçado. Não se surpreenda se disserem que você não tem senso de humor.  Você plantou uma semente deixando clara a mensagem de que você não corrobora com atitudes que perpetuam o machismo.
  • Saiba que você não está sozinha ao  reagir a um comentário machista. É provável que  ninguém mais tenha se pronunciado contrariamente à brincadeira, porém não concorda com ela. Outras pessoas sentem-se  aliviadas quando alguém fala e são encorajadas a se manifestar  também.
  • Mesmo se você for a única a não rir, os “humoristas” saberão exatamente o que há de errado com um comentário ou piada aparentemente simples. Deixe-os saber o impacto que tem sobre você ou outras pessoas.  A maioria das pessoas são razoáveis ​​e uma vez que reconhecem as origens do  potencial de dano de uma brincadeira machista, eles encontrarão outras formas de fazer piadas.
Como reagir a piadas machistas?
Eu, geralmente fico séria, ignorando completamente  a brincadeira. A maioria das pessoas querem uma reação, boa ou ruim. O objetivo é chocar.  Não é necessário fazer um discurso a cada situação desconfortável diante de uma piada machista. Respostas simples  são muitas vezes eficazes.
Quando um colega de trabalho me perguntou se eu queria ver  um  “convite”  que ele fizera para um  evento só de homens, com  fotos de mulheres  “gostosas” e em trajes sumários,  eu, naturalmente, disse que não queria ver, pois ele sabia que sou feminista. E, em nome de nossa amizade, era melhor ele não me mostrar estas coisas. Ele apenas respondeu “tudo bem” e guardou o convite.
Quando reagimos assim a um comentário ou brincadeira machista, é possível que a pessoa  que os fez  vá  continuar a fazer tudo de novo; porém, se mantivermos o mesmo comportamento, de explicar que não compartilhamos risadas a comentários humorísticos envolvendo a mulher, logo ela perceberá que nossa luta pelo fim da violência contra a mulher  é séria,  e que machismo e violência contra a mulher não são motivo de riso.
E você, como reage às sessões de humorismo machista dos amigos, em seu dia a dia?

sábado, 25 de fevereiro de 2012

"Eu não sabia explicar nós dois
Ela mais eu
Porque eu e ela
Não conhecia poemas
Nem muitas palavras belas
Mas ela foi me levando pela mão
Íamos todos os dois
Assim ao léo
Ríamos, choravamos sem razão
Hoje lembrando-me dela
Me vendo nos olhos dela
Sei que o que tinha de ser se deu
Porque era ela
Porque era eu"

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Só porque não posso mudar tudo,
não significa que não posso mudar nada.

Uma opinião mudada por algo que você disse.
Um estilo de vida ajustado pelo que você sugeriu.
Um trajeto mais claro tomado com instruções que você deu.
Um mundo relevado pelo que você fez.

Um tijolo hoje é um a menos para amanhã.

1905 , Can't Change Everything

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Certas coisas.


(...)

eu te amo calado
como quem ouve
uma sinfonia
de silêncio e de
luz
nós somos medo e
desejo somos
feitos de silêncio
e som
tem certas coisas
que eu não sei dizer
A vida é mesmo assim
dia e noite
não e sim
eu te amo calado
como quem ouve
uma sinfonia
de silêncio e de
luz
nós somos medo e
desejo somos
feitos de silêncio
e som
tem certas coisas
que eu não sei dizer

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

"(...) Mas aborto é mais do que um problema de saúde pública. Negar a uma mulher o direito a realizá-lo é equivalente a dizer que ela não tem autonomia sobre seu corpo, que não é dona de si. “Ah, e o corpo do embrião/feto que está dentro dela, seu japonês endemoniado do capeta?” Na minha opinião – e na de vários outros países que reconheceram esse direito, ela tem sim prevalência a ele.
Defendo incondicionalmente o direito da mulher sobre seu corpo (e o dever do Estado de garantir esse direito). É uma vergonha ainda considerarmos que a mulher não deve ter poder de decisão sobre a sua vida, que a sua autodeterminação e seu livre-arbítrio devem passar primeiro pelo crivo do poder público e ou de iluminados guardiões dos celeiros de almas, que decidirão quais os limites dessa liberdade dentro de parâmetros. Parâmetros estipulados historicamente por…homens, veja só."

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Situação caótica do hospital de Altamira motiva ação judicial.

MPF e MP/PA pedem à Justiça decisão urgente para obrigar o poder público a tomar providências contra abandono do hospital municipal
A falta de limpeza, de destinação correta do lixo, de remédios, de água potável, de equipamentos de proteção e a existência uma série de outras deficiências de infraestrutura e gerenciamento estão colocando em risco a saúde dos pacientes do hospital municipal de Altamira, no Pará. Nem alvará o hospital tem. Sem conseguir resposta do poder público para essa situação, o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Estado (MP/PA) tiveram que recorrer à Justiça, por meio de ação ajuizada na última segunda-feira, 6 de fevereiro.
Na ação, os procuradores da República Bruno Alexandre Gütschow e Cláudio Terre do Amaral e as promotoras de Justiça Silvana Nascimento Vaz de Sousa e Amanda Luciana Sales Lobato pedem que a Justiça determine a tomada de providências urgentes pela União, Estado e município.
O MPF e o MP/PA querem que a Justiça obrigue o poder público a tomar iniciativas como a manutenção periódica de máquinas e equipamentos, reformas no prédio, aquisição de materiais e medicamentos, contratação de profissionais, tratamento correto da água e aumento da fiscalização sobre a atuação dos funcionários.
Também foi solicitado na ação que o poder público federal, estadual e municipal providencie um plano de gerenciamento dos resíduos sólidos para o hospital. Atualmente todo o material descartado vai para o lixão de Altamira, sem nenhuma espécie de tratamento. 
Em inspeções feitas pelo MPF e pelo departamento de auditoria do Sistema Único de Saúde (SUS), seringas usadas e outros resíduos hospitalares foram encontrados no chão da área interna do hospital e na rua.
Horror – O caos no gerenciamento do hospital faz lembrar filmes de horror. Há casos de pacientes cujas roupas ficam sujas de sangue durante dias. As placentas são descartadas em uma  fossa sem vedação adequada, exalando mau cheiro. Existem fossas já desativadas que estão com as tampas de concreto quebradas, informam relatórios de técnicos e engenheiros sanitaristas. 
Desde 2009 o MPF vem cobrando do poder público a solução para problemas como esses, mas quase nada foi feito.  “As condições precárias do Hospital Municipal São Rafael são atos claramente atentatórios à dignidade de qualquer ser humano que de seus serviços necessite”, diz o texto da ação. “Seres humanos devem ser tratados como tais, não importando sua situação econômica”.
O MPF e o MP/PA alertam à Justiça que a situação viola os direitos não só da população de Altamira, mas também de outros municípios da Transamazônica. “Acrescente-se, ainda, para agravar a situação, o fato de já estar havendo uma crescente migração de pessoas para o município de Altamira, atraídas pelo empreendimento denominado UHE Belo Monte, fato este que aumentará consideravelmente a demanda do referido hospital público”, registra o texto da ação, para, em seguida, complementar com a informação de que a estimativa oficial é que a hidrelétrica deve atrair cerca de cem mil migrantes para a região.

Processo nº 0000103-50.2012.4.01.3903
Íntegra da ação
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