sábado, 8 de junho de 2013

Aos que me distraem: sou céu e saliva e cada poro meu pulsa

Aos que me expulsam todo dia toda noite
Aos que calam minha voz
E para esses que calam
Que são os mesmo que me desafiam

(Nenhum minuto de silêncio)

Grita meu peito
Os corações partidos.
É partido o meu
O dele
O dela

Eles que se limitam
e se  fecham nos seus próprios medos
Que são do tamanho das suas ignorâncias
Das suas covardias
Menores que meu fogo
Menores que a chama da minha revolução
Menores que meus sonhos.

Palavras duras, tortas
Mas me entendendo eu consigo
Entende-los
Vos compreendo e os perdoo
Eu me perdoo.

Que entendendo a agonia deles
Eu possa ter cada vez mais
Paz e tranquilidade para a acalmá-los.

O amor estar aqui, inteiro
E meu coração é grande
E meu amor é grande
Há-braços de amor e de luta

Para aqueles que todos os dias me ordenam
Pensando no meu bem
Que me ameaçam, me desafiam
Pensando no meu bem
(Nenhum minuto de silencio,
Da minha boca, do meu sangue fervendo)

Para eles que me repreendem
Eu só tenho a dizer que os amo
Não um amor burguês
Um amor revolucionário
E é pensando neles
Que tenho dias de luta
Dias de glória
(Nenhum minuto de silêncio
para o sonho de ver
esse mundo um lugar muito melhor)

Stephanie V. B. (08/06/13)

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Infinitudes

percorro meus dedos
por tua pele
nua

te redescubro
e te sinto profundo
(respiração
sussurros
olhares)


sinto teu gosto
teu gozo
teu desejo
nossos beijos

corações pulsando
forte
e uma canção desesperada
gravada no aparelho de som
que nos embala

cenas que meus olhos
meu corpo
minha pele
mente
registram

mergulhados no prazer
e em tudo
que há
em mim
em ti
em nós
(infinitudes)

stephanie vieira brito-22.04.13

quinta-feira, 28 de março de 2013

Agraciando as horas. (parte II)

Encontro-me em um corpo que não sou eu
Olho-me no espelho e eles me confirmam
O que só o tempo e a vizinhança 
podem ser capazes de notar
No entanto há aqui um jovem 
numa capa já enrugada 
de tantos carnavais
Com energias e sonhos
Desejos e apetites

Coisas todas essas
 que insistem em me renegar  os outros,
Insistem em dizer que não há mais
tempo-espaço-para-vida-brilho-alegria
em quem muito tempo já se passou nesta terra,
São quase um século e repito minha alma ainda jovem
Cantarola

E hoje mais que nunca, 
cantarolo e passeio pelas ruas colombianas
Com minha colombina
A primavera deu-se em minha vida
E ando cheio de flores e borboletas desabrochando
Em meu tão antigo coração

(Eu que nunca amei ninguém
Pude então enfim amar)

Amo uma formosura com a mesma idade  que minha alma diz ter
Renasci , renasci como nunca antes haviam me despertado
Nenhuma das mulheres com as quais me deitei
Fizeram de minha trilha o que essa doce jovem fez
Colômbia anda mais bonita
E mais feliz que nunca...

[Homenagem ao livro "Memória de minhas putas tristes- G.G. Márquez"]

Stephanie Vieira Brito 03-03-13. 


quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Agraciando as horas. (parte I)


A fumaça do incenso baila no ar 
O cheiro dele emana tranquilidade 
O jazz de fundo saído da estonteante voz de Amy 
Me traz um conforto quase que inenarrável 
De estar em paz e bem comigo mesma...


Satisfazendo um imenso desejo de ler Gabriel García Marquéz, em ”Memória de Minhas Putas Tristes”, leitura esta a qual não estava incluída nos planos de 2013, mas que me tentou fortemente quando fui à biblioteca da Universidade, em janeiro deste ano. (ora! Sabemos que desejo não tem hora marcada para bater em nossa porta).
 Sempre, entre uma pausa e outra deste livro que falava sobre a experiência de um colombiano de estar com 90 anos, pensava na vida. Relembrei de tudo o que vivi até aqui, com apenas duas décadas nas costas. E suspirei profundo, quase soberba e disse “Já vivi tanta coisa, já chorei, ri, amei...” E nesse meio tempo, nesse piscar de olhos, nessa ferrenha dura e pesada mão do tempo, mudei profundamente. E foi uma dura e difícil mudança, contudo, necessária. Avalio-me.
Acendo outro incenso, agora me vendo e estando só, somente só, a não ser pela presença do vento escandaloso o qual precede as chuvas da deliciosa Cidade das Mangueiras, varrendo o quarto. Tirando pesos e medidas, acomodei calmamente as coisas na balança, como boa libriana que sou. Quero viver tantas coisas, tantos amores e maravilhas...
Ainda não terminei a leitura de García Marquéz, mas o incenso ainda incendeia com seu perfume e o vento ainda circula por aqui e ele deixa a porta do quarto, que antes estava fechada, entreaberta. E eu olho para o lado de fora sem tantos medos como ontem, porém com os olhos arregalados e atenciosos, querendo que se abra mais. Ela não vai ser mexer se eu não me mexer. O que me espera atrás dela é o futuro, e ela vai se abrir...
Belém, 16 de janeiro de 2013.
Stephanie Vieira Brito.

sábado, 1 de dezembro de 2012



"É preciso sonhar,
 mas com a condição de crer em nosso sonho, 
de observar com atenção a vida real, 
de confrontar a observação com nosso sonho,
 de realizar escrupulosamente nossas fantasias. 
Sonhos, acredite neles."


disseram uma vez que jamais devemos deixar morrer o tão antigo ato de sonhar. E é isso mesmo. Crer veementemente que as coisas não são permanentes, que tudo muda quando acreditamos e trabalhamos para algo ser mudado, que a construção de fantasias e sonhos a dois, três, quatro, infinito, não são bobagens de criança. Crianças não são bobas e sonham com tudo aquilo que é possível, pois nada é inflexível, nem petrificado, nem eterno. Não permita que continuem disseminando  a ideia de que quem sonha vive no mundo da lua, da quimera, da fantasia. Em tempos de puro individualismo, de prepotência, de autoritarismos velados, de democracia disfarçada, de competições sangrentas, as quais provocam destruições, culminam violências. Em épocas de falta de amor, de ceticismos com relação a tudo, até mesmo da confiança entre as pessoas mais próximas a tal ponto, que hoje se confia muito mais num cachorro (não que não sejam dignos de respeito, pelo contrário), do que na própria humanidade, aprendi que aquelxs que sonham são livres, aquelxs que lutam são livres, aquelxs que acreditam na mudança do mundo, na transformação dos modelos predadores de vida, são livres e, acima de tudo, daquelxs que acreditam nisso tudo com amor, que baseiam suas lutas pelo amor, por um outro tipo de amor, sentimento esse o qual não vira sinônimo de propriedade, de posse, são livres! O caminho a se trilhar é longo, mas vamos somando forças, conquistando companheiros e companheiras, marchando pelas ruas dos centros e dos guetos, vamos, pois a luta é grande e árdua, vamos porque nesse momento em que escrevo as emoções afloram e sucumbem meu corpo com toda a força das lembranças de todos aqueles dias que me coloquei nas lutas, com toda a força dos olhares(cheios de chão e estradas a trilharem) os quais cruzaram meus olhos. Com toda a energia das vozes que entoavam canções de protesto e ecoavam  freneticamente pela cidade. Por todas essas pequenas grandes lembranças, sim, pequenas, pois sou peixe novo nas águas desse rio. Muitas lutas hão de vir. Muitos sonhos hão de se realizar. E que a história tenha por encargo jamais nos esquecer!

E que nós, jovens companheiras e companheiros, jamais nos esqueçamos de tudo aquilo que sonhamos no calor de nossa juventude.

01.12.2012- Stephanie Vieira Brito.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Para Maria, Com Amor.

Para Maria
Com Amor

Deixei esse violão
Para ela (en)cantar
As noites dos bares de então
Para ela levar poesia para
As ruas, os becos, os morros
E por onde mais houver portas abertas

Para Maria
Com Amor

Fazer ecoar as vozes dxs oprimidoxs
Dxs amantes
Dxs desgarradxs
Dxs que há anos 
Não possuem voz nem vez

Para Maria, com amor...

(Eu também dedico este poema)


- Belém, 18.09.12, Stephanie Vieira Brito

segunda-feira, 27 de agosto de 2012


Esse ponto
Que navega
Pelos braços
Hora largos
Hora estreitos
Desse Rio
Destino
Que não se sabe

Porém saber seguir
Saber fazer escolhas

Navegar por esse Rio torto
Por esses caminhos tortos
Repleto de riquezas e aventuras
Repleto de sonhos
Descoberta, prazeres
E liberdade
(liberdade,essa palavra enorme).
Para descobrir se realmente
Há o ponto certo

Há o ponto certo?

Lá em frente tem o outro ponto
Para descanso
Na hora que sentir
Que se deve um descanso
Mas depois
Há sempre que avançar
O ato de descoberta
(De descobrir-se, desencobrir-se)
Por mais dolorido que seja
Ainda sim,
Guarda sempre
Um punhado de esperança

(27.08.12- Stephanie)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012


São essas pequenas (grandes) coisas
que ficam guardadas:
quando deixamos
uma rosa
e um canto,
um bilhete ou uma carta perfumada
 guardadas na gaveta
para fazer surpresa ao amor.
Essas coisas bonitas
que nos fazem chorar
quando ninguém nos vê
 Essas pequenas (grandes) coisas
são as que ficam
e inundam nossos olhos
quando os dias
insistem em se chamarem
saudade...

(Stephanie Vieira Brito 16.08.12) 


Se te ensinaram a ter uma voz macia,
A amar com paixão A cuidar com carinho
- Isso não precisa ser um problema 
Mas se sua voz se cala diante de outra mais forte 
Se o amor vira submissão 
E se o cuidado impede a luta 
- Nem que seja por um momento 
Pode ser necessário gritar, 
Odiar 
E criticar com firmeza: 

Por amor

(Lira Alli)





com pedrinhas lilás fomos construindo histórias e um grande colar de sonhos.
cantamos músicas de alegria para fortalecer nossos laços de mulheres guerreiras.
pintamos, colorimos, criamos e recriamos e assim caminharemos
nós, nosotros, nós todos e todas


Para este dia bonito,

ficam os desejos de continuar 
e de sonhar e de construir
e de
e de...


(Stephanie Vieirra Brito-15.08.12)

sábado, 11 de agosto de 2012

Quarto escuro, fim de tarde fria, os livros e roupas espalhados no chão...A única claridade que se vê é da rala luz que entra pela janela. A chuva forte faz ventar barulho, as gotas de água escorrem ligeiramente pelas frestas. É fim de tarde e me acomodo nesse quarto aconchegante que sinto querer me cuspir fora por pura vontade de me ver viver.

(Canto para espantar o silêncio 
e tenho a leve impressão de ter respostas)

Essa rala luz me dá esperanças.
Esperanças de ver-te. Vem!

Vem e traz contigo essa poesia do teu sorriso
Esse a-mar inundado de riquezas
Essa felicidade que floreia minha alma e minha vida
Vem com essas ondas fortes me tirar dessa cama vazia
Vem para gente se aventurar

Se não vieres eu vou. 
E irei! 

Deixarei para trás essa luz rala 
E buscarei na tua pele
A luz que incendeia meu ser

(Para fazer arder meus dias)


Stephanie Vieira Brito 22.07.12