sábado, 30 de agosto de 2014

Antes do trevo da estrada

Foi dedilhando as fotos
Decorando o quarto
E a alma
Remontando vivências
Passadas
Reminiscências.

Foi olhando o relógio
conferindo o tempo
contando os 365 dias
A dedo


Não me recordo
apenas do momento
Em que o vento bateu
E nos embaraçando
nos volveu por outros
Destinos

Suspiro profundo
E tento entender
os atropelos da vida
As esquinas perdidas

Se dizem que fui eu
Que displicente as deixei
Digo que: todas nós,
Engolidas pela rotina,
somos as protagonitas
e sujeitas do que se sucedeu

 Não decorei as paredes
 Do meu quarto,
com retratos nossos,
Guarneci a memória
Atravessei o passado
Para espreitar as escondidas
Aquelas alegrias
De outrora

Alegrias, tristezas
Afetos, descobertas,
Segredos, olhares
Medos, loucuras,
Devaneios, sororidade
O despertar.

Carrego dentro do meu ser
A beleza escancarada
Da amizade que tinhamos
Que talvez ainda tenhamos
E que, porventura, possa estar
Escondida atrás daquele
Único poste da rua soturna
de pouca iluminação

No ranger do peito
Ainda sinto ardorosa 
E pulsante nossa a amizade.

Stephanie Vieira Brito
 Belém, 30 de agosto de 2014.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Mulher! Renasce da terra
Forte, Deusa do tempo
Da vida, resgatar e brotar
Sente o cheiro do tempo
Do vento oxalá!
Nutrir sementes!

Deusa do tempo flamejante
Brota, Renasce, fortificante
Aguenta as mais fortes tempestades

Faz horizonte até tocar o céu
Azul céu, azul tempo, cor anil
Cresce sustenta forte
Deusa do tempo.

Deixa que a água te encharque
te vigore, te derrame
te deixe indomada
Indomável, Mulher!

Deusa do Tempo
Renasce da terra
Conduza o tempo
Com tua força
Oxalá!

StephanieVB 17/04/2014.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

24/12/13.

Virgínia parou em frente ao mar e, entre suspiros e boas lembranças, assoviou...
Em seguida me disse, com os olhos cheios de ternuras e esperanças com os anos
que está na boca da vida e do tempo para vir ao mundo:
 " Quando meu pai queria chamar o vento, ele assoviava,
  e dançava para que o tempo viesse junto também...  "

Stephanie V. B.
(Em Praia do Ajuruteua- Bragança- Pa.)

terça-feira, 17 de dezembro de 2013


Teu rosto no retrato.
Teus olhos fixos no horizonte.
Como quem busca subverter
A realidade. Inexata.

Como quem busca tempo.
Observa, observa.

Espreita a estrada.
Busca vida no horizonte.
Busca rumos, fontes, expansão.

Na calada da noite.
No breu das tocas.
No amanhecer.
Na alvorada.

Teu rosto no retrato
Teus pensamentos
Transversos
A esta foto.

Palavras desenhadas
Na imensidão
que banha
teu ser.

Labareda meus dias
Faz luz, fogo, chamas.
Grande chama.
Língua ferina.

Avermelhada cor
Primária.
Ardente.

Marque a ferro
e fogo
o tempo
fugaz.



23.11.13
Stephanie V. B.

domingo, 29 de setembro de 2013

Tentando encontrar entre tantas poesias
A que mais te poetiza em mim
Aquela que alumia o canto da casa
Da rua  e também das almas chorosas
Aquela que celebra teu olhar

Este aí tão bonito,
              que me sobe e 
                                
                                   me desce
                    E que guarda os mistérios uivantes
                                       dos ventos fortes da fria escuridão

         É contraditório, bem sei!

Sei que teus olhos são tão cheios de ternura
Que chegam a escandalizar os olhares atrozes
Bem como guardam noites escuras,
Espantosamente imersos no profundo
Ávidos por eloquência, cheios de mistérios,
pavor, imaginação, criação, profusão

Tão surreal 
Como as obras de Dalí
Tão poeticamente transgressor 
como Gioconda Belli

E entre o mistério e a clareza
Entre a pintura e a poesia
A palavra e a imagem
Existe a linha do horizonte
Que se expande
Um espaço cognitivo
Em que gosto de habitar
Apreender-te, te perceber
decifrar e ser banhada
Por essa luz e esse mistério

Nessa minuciosa busca não encontrei
Nem nunca espero encontrar 
essa poesia fixa
essa linguagem asfixiada
Essas palavras que te encerram
e te fazem absoluto


Pois caminhar 
        para te desvendar
               é sempre transgredir
                    os limites do ser e não ser
                                              A linha tênue 
                                                    o fio da meada
                                                            a linha do horizonte.



 Stephanie.
 Com amor, te dedico: Vini.
 Belém 26.09.13

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Para mim, poema teu.

Reverso: Manifesto da alma  - A poesia do afeto

 Dimensão, tempo espaço.
 Formado por consciente e inconsciente
 Infinito fluindo, dentro de uma caixa.
 Essa caixa coração!

 Nesse universo mergulho fundo
 Forte bato, pernas e braços.
 Desço por camadas de todas as cores
 Juntando por onde passo pedaços de amores

 Encontro nessa busca sabores
 Encontro nessa busca odores
 Encontro nessa busca cores
 Encontro nessa busca rumores
 Encontro nessa busca tuas flores

 Em cada pedaço um amor
 Cada pedaço possui varias formas de amor
 Brilhando e iluminando feito diamante
 Esclarecem o oceano distante

 Quando levanto desse banho
 De corpo molhado e pedaços encaixados
 O que sinto, entendo te olhando.
 Estou te amando!"


Vinícius Machado

sábado, 24 de agosto de 2013

Há um rio correndo em mim,
Um rio de águas caudalosas...

(que arrasta meus muros,
abre passagem para liberdade
me faz fuga)

sábado, 15 de junho de 2013

Logo ali, do outro lado

Com o pano amarelo
lentamente vou
desembaçando
o vidro desta janela

Meus olhos
atentos e curiosos
vão percebendo:
os tempos são outros
e eu consigo ver
sentir, perceber

O cheiro de flor
espalhado na cidade,
me diz que é primavera,
há coisas desabrochando
no coração desse Brasil
(novamente)

E esse som agradável
dos tambores, chocalhos
baterias, flautas
me fazem dançar
nas pontas dos pés
e minha saia a rodar
diz o ritmo
daquilo que virá

Daqui desta janela
meus olhos acompanham
o caminhar ligeiro
dos que passam
do outro lado (da rua)

E lembro da velocidade,
da vida dura e carrasca,
"da força da grana
que ergue e destrói
coisas belas",
mas que mesmo assim
ali, logo ali ao lado
consigo ver o olhar
daqueles e daquelas
que não nasceram
para serem escravos
o olhar pungente
de força, esperança
e luta

há que se lutar,
marchar pela cidade
ombro a ombro,
por isso corro, desço e
me unindo ao povo penso:
é daqui que te vejo
mundo novo



Stephanie Vieira Brito 15/06/13

sábado, 8 de junho de 2013

Aos que me distraem: sou céu e saliva e cada poro meu pulsa

Aos que me expulsam todo dia toda noite
Aos que calam minha voz
E para esses que calam
Que são os mesmo que me desafiam

(Nenhum minuto de silêncio)

Grita meu peito
Os corações partidos.
É partido o meu
O dele
O dela

Eles que se limitam
e se  fecham nos seus próprios medos
Que são do tamanho das suas ignorâncias
Das suas covardias
Menores que meu fogo
Menores que a chama da minha revolução
Menores que meus sonhos.

Palavras duras, tortas
Mas me entendendo eu consigo
Entende-los
Vos compreendo e os perdoo
Eu me perdoo.

Que entendendo a agonia deles
Eu possa ter cada vez mais
Paz e tranquilidade para a acalmá-los.

O amor estar aqui, inteiro
E meu coração é grande
E meu amor é grande
Há-braços de amor e de luta

Para aqueles que todos os dias me ordenam
Pensando no meu bem
Que me ameaçam, me desafiam
Pensando no meu bem
(Nenhum minuto de silencio,
Da minha boca, do meu sangue fervendo)

Para eles que me repreendem
Eu só tenho a dizer que os amo
Não um amor burguês
Um amor revolucionário
E é pensando neles
Que tenho dias de luta
Dias de glória
(Nenhum minuto de silêncio
para o sonho de ver
esse mundo um lugar muito melhor)

Stephanie V. B. (08/06/13)

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Infinitudes

percorro meus dedos
por tua pele
nua

te redescubro
e te sinto profundo
(respiração
sussurros
olhares)


sinto teu gosto
teu gozo
teu desejo
nossos beijos

corações pulsando
forte
e uma canção desesperada
gravada no aparelho de som
que nos embala

cenas que meus olhos
meu corpo
minha pele
mente
registram

mergulhados no prazer
e em tudo
que há
em mim
em ti
em nós
(infinitudes)

stephanie vieira brito-22.04.13